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Lula critica prolongamento da greve dos docentes federais 

Por Panoramams em 10/06/2024 às 15:32:51

Foto: O TEMPO

O presidente Luiz In√°cio Lula da Silva criticou, nesta segunda-feira (10), o prolongamento da greve dos professores e técnicos das universidades e institutos federais e afirmou que o montante de recursos negociados com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços P√ļblicos (MGI) para recompor os sal√°rios dos docentes e servidores é "não recus√°vel".

"O montante de recurso que a companheira Esther Dweck [ministra do MGI] colocou à disposição é o montante de recursos não recus√°vel. Eu só quero que leve isso em conta porque senão nós vamos falar em universidades, institutos federais e os alunos estão à espera de voltar à sala de aula", disse Lula, em reunião p√ļblica com reitores de universidades e institutos federais, no Pal√°cio do Planalto.

Na ocasião, o presidente anunciou R$ 5,5 bilhões em recursos do Ministério da Educação (MEC) para obras e custeio do ensino técnico e superior e a construção de dez novos campi de universidades e de oito novos hospitais universit√°rios federais.

Para Lula, greve tem tempo para começar e também para terminar e é preciso que as lideranças sindicais tenham "coragem de acabar com a greve". "A √ļnica coisa que não se pode permitir é que uma greve termine por inanição, a √ļnica coisa que não pode acontecer, porque se ela terminar assim, as pessoas ficam desmoralizadas. Então o dirigente sindical tem que ter coragem de propor, ele tem que ter coragem de negociar, mas ele tem que ter coragem de tomar decisões que muitas vezes não é o 'tudo ou nada' que ele apegou", disse.

"Eu fui dirigente sindical que eu nasci no 'tudo ou nada'. Pra mim era o seguinte: é 100% ou é nada, é 83% ou é nada, é 45% ou é nada. Muitas vezes, eu fiquei com nada", ressaltou, afirmando que, no caso da greve atual dos docentes, "não h√° muita razão de estar durando o que est√° durando".

"E não é por 3%, por 2% ou 4% que a gente fica a vida inteira de greve. Vamos ver os outros benef√≠cios, voc√™ j√° tem noção do que foi oferecido? Voc√™s conhecem o que foi oferecido?", argumentou o presidente Lula, que foi l√≠der sindical dos metal√ļrgicos, no interior de São Paulo.

Professores e servidores de cerca de 60 universidades federais e de mais de 39 institutos federais de ensino b√°sico, profissional e tecnológico estão em greve desde o dia 15 de abril. Balanços das entidades mostram que a paralisação alcança mais de 560 unidades de ensino de 26 unidades federativas. Eles pedem, entre outras medidas da contraproposta, a recomposição dos sal√°rios em 4,5% ainda este ano.

Durante evento com o presidente Lula, a reitora da Universidade de Bras√≠lia (UnB) e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), M√°rcia Abrahão, afirmou que os docentes e servidores técnicos administrativos t√™m remunerações "muito defasadas". "Ainda mais quando comparamos com algumas carreiras que tiveram reajustes recentemente. H√° técnicos que chegam a ganhar menos de um sal√°rio m√≠nimo. Esperamos que esta semana o governo e os sindicatos cheguem a uma solução negociada, pacificando a situação", disse.

O reitor do Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Cient√≠fica e Tecnológica (Conif), Elias Monteiro, pediu que os esforços do governo estejam concentrados na formação de professores e na valorização de profissionais da educação, para "fortalecer e possibilitar a melhoria da educação b√°sica e superior".

"Suplicamos ao governo federal que avance nas negociações para o fim da greve. Reconhecemos que é um movimento leg√≠timo e justo, mas que j√° gera reflexo com o aumento da evasão escolar e preju√≠zos de cumprimento do calend√°rio acad√™mico. Sabemos que avanços tem sido feitos, contudo, necessitamos que retomemos a normalidade o quanto antes das instituições", afirmou.

Negociação

No √ļltimo dia 3 de junho, representantes do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação B√°sica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior P√ļblicas do Brasil (Fasubra) se reuniram com representantes do governo federal.

O encontro ocorreu uma semana após a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) ter assinado um acordo com o MGI, sem a aprovação das outras principais entidades, que t√™m registro sindical e representam a maior parte dos docentes e servidores, o que provocou uma divisão nas categorias. O acordo foi feito em cima de uma contraproposta classificada pelo governo como "proposta final", mas uma decisão liminar da Justiça Federal de Sergipe anulou o acordo firmado entre o governo federal e a Proifes.

Os servidores técnico-administrativos t√™m mais uma rodada de negociação com o governo prevista para amanhã (11). Com os professores federais, deve ocorrer na próxima sexta-feira (14). O MGI ressaltou que as pautas em discussão não serão remuneratórias.

Proposta

Em 15 de maio, a pasta apresentou o que chamou de proposta final. O governo oferece aumentos de 13,3% a 31% até 2026, com os reajustes começando em 2025. As categorias que recebem menos terão os maiores aumentos. Quem ganha mais ter√° menor reajuste.

Com o reajuste linear de 9% concedido ao funcionalismo federal em 2023, o aumento total, informou o MGI, ficar√° entre 23% e 43% no acumulado de quatro anos. A pasta ressaltou que o governo melhorou a oferta em todos os cen√°rios e que os professores terão aumento acima da inflação estimada em 15% entre 2023 e 2026.

A proposta anterior previa reajuste zero em 2024, 9% em 2025 e 3,5% em 2026. Somado ao reajuste linear de 9% concedido ao funcionalismo federal no ano passado, o aumento total chegaria a 21,5% no acumulado de quatro anos.

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